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AS ORIGENS

Aí estão os trabalhadores na seara do Mestre buscando fazer o melhor que podem, tentando encontrar soluções para todo tipo de dificuldade que vivenciam e buscando levar um pouco de alívio aos que nesta Casa chegam com sua bagagem de sofrimento.

Queremos avivar a memória dos mais esquecidos, que parecem ignorar as origens do conhecimento que hoje possuem, o modo como agora se posicionam e as energias que manifestam como se houvessem nascido com o comportamento espiritual já pronto.

Grande engano.

Assim como antes de dar os primeiros passos, tiveram que engatinhar, do mesmo modo antes de chegarem ao patamar em que se encontram, precisaram engatinhar nas lides dos caboclos, pretos velhos, povo da água e das matas.

A grande maioria dos que fazem seu trabalho de doação nesta Casa iniciou suas tarefas espirituais usando do recurso da fumaça dos charutos, dos galhos de arruda, dos pontos riscados no chão sim – não façam este ar de espanto –, não estamos falando de nenhuma inverdade, pois quem não incorporava os pretos velhos, caboclos ou eram filhos de Iemanjá, faziam suas tarefas camboniando estes seres, que traziam suas energias, suas ervas, seus rituais cantantes para dar sua contribuição a quem deles precisassem.

Entendemos que avançaram todos em suas caminhadas e que nesta Casa, no agora já não trabalham desta forma e isto, com certeza, deve-se às orientações que receberam, não para afastar estes especiais seres espirituais, mas para adequá-los a manifestações condizentes com a evolução a que estavam todos destinados.

As energias destes colaboradores continuam se fazendo presente em muitos dos trabalhos e em diversos momentos constatamos o quanto a sabedoria simples de um preto velho leva um trabalhador a ter uma postura delicada e amorosa com quem está interagindo, assim como vemos também, quando a força purificadora e libertadora dos caboclos libera os que estão envoltos em densidade, enquanto as águas de Iemanjá lavam as tristezas, mágoas e trazem equilíbrio e paz para os mais atormentados.

Entendam que a ausência das cantigas pontuais, dos charutos e das ervas, não significa que estes colaboradores foram banidos do convívio daqueles que frequentam esta Casa, apenas estão se comunicando de modo diferente.

Sabemos que alguns, ainda precisam dos rituais e quando os fazem é totalmente no plano espiritual, com a liberdade que lhes foi concedida e no espaço de seu merecimento.

Não esqueçam como começaram, não ignorem o reconhecimento que estes colaboradores merecem e o muito que a eles precisam agradecer, pois eles lhes apresentaram o que era preciso no início de suas caminhadas, nada mais.

Tenham sempre presente que nos referimos aos que possuem condições de auxílio e que foram evoluindo conforme se fazia necessário e não aos que ficaram cristalizados no tempo presos nas limitações de uma condição vivida que deixou marcas por demais profundas o que os mantém como ainda estão.

As origens precisam ser respeitas e lembradas com gratidão.

 

 

                                                               Messias

 

 

Recebida pela Magali em 29/11/2010

Revisão: Clovis