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BATENDO À SUA PORTA

 

Bati na sua porta com humildade e desespero. Era um desabrigado da vida, abandonado por todos e desejando ser visto e/ou acolhido por alguém que para tal tivesse sensibilidade.

O que o levou a não abrir sua porta? Nunca fui do mal, não queria lhe tirar nada, queria apenas que me recebesse no conforto de sua casa, que me aquecesse com um alimento quente, mesmo que fossem sobras, e me agasalhasse, ainda que  com panos muito usados.

Você não teve piedade de mim?

Por que você foi tão egoísta? Já pensou que sem sua ajuda poderia não resistir e deixar este Mundo, onde você continua?

Já fui como você é hoje, já tive bens, família, profissão. Perdi tudo ao me tornar um viciado, que foi capaz de desconsiderar toda ajuda que lhe ofereceram, por isto, acabei assim na rua, entre outros tantos iguais a mim.

A sua foi a última porta em que bati, pois minhas forças estavam se exaurindo, estava trêmulo e gelado, minhas pernas se dobravam sobre o solo, mas como você não me atendia, voltei, mesmo que me arrastando, para junto dos que estavam na mesma situação que eu.

Fiquei bem perto dos outros, para ver se com a proximidade, me sentia melhor, mas não adiantou, estava muito debilitado.

Fui adormecendo, mas parecia que estava em um transe, pois duas pessoas me pegaram pelas mãos e disseram que iam me levar para um lugar melhor.

Não sabia se podia confiar neles.

Gozado, eles leram meu pensamento, pois responderam que eram emissários de Deus, que tinham vindo me buscar.

 Se era gente de Deus achei que dava pra confiar.

Perguntei a eles se caso você houvesse aberto a porta para mim, se eu não ficaria mais tempo, e eles responderam que você teve a oportunidade de ser generoso, e ajudar uma pessoa carente, porém que eu iria com eles de qualquer modo, mas não de forma tão amargurada, se houvesse sido acolhido.

Parece que a chance de praticar a caridade, foi você que perdeu ao não abrir a porta e, talvez, isto conte no seu saldo de bens e maus feitos.

Agora posso descansar, encontrei quem me cuide.

 

Um pedinte

 

Recebida por Magali em 27/07/2013

Revisão: Clovis