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O SILÊNCIO DAS PALAVRAS

Quanto de silêncio está impregnado quando as palavras se fazem mais firmes, diretas, julgativas?

Todos os que se dedicam ao estudo da doutrina, e que tentam tornar práticos seus ensinamentos, muitas vezes cometem o equívoco de retirar das palavras expressas o silêncio que lhes pertence.

As expressões vocabulares silenciosas são aquelas em que não estão se manifestando suas conturbadas emoções, em que está prevalecendo o respeito pelo outro, ainda que por ele possam se sentir ofendidos.

No silêncio está o reconhecimento de se saberem falhos, de se reconhecerem iguais uns aos outros e, com humildade, expressar o que for preciso, mas sem o tônus de seus aspectos menos luminosos.

Observamos, algumas vezes, irmãos de caminho que iniciam um diálogo fraterno, mas que frente a uma palavra mal compreendida ou mal colocada, prontamente reagem dando à sua manifestação o máximo de ruído vocabular.

Quando assim nos referimos não estamos citando o tom de voz que usam e, sim, a consistência do que é dito.

Palavras com conteúdo silencioso podem explicitar um sentimento e não uma emoção, pois as emocionalidades servem apenas para desestruturar qualquer assunto enfocado.

Objetivando um melhor entrosamento entre os que desta Casa fazem seu local de doação e aprendizado, sugerimos que fiquem atentos ao modo como se expressam, lembrando que mesmo no som existe silêncio, tanto para quem o produz quanto para quem o escuta.

Não se faz necessária nenhuma sensibilidade específica para que tal seja percebido, basta que se atenham ao que está sendo dito ou ouvido e deixem que o silêncio seja sentido.

Nos tantos momentos vividos, nesta Casa, constatamos a interferência ruidosa das emoções prejudicando a comunicação entre parceiros de caminho que buscam o mesmo objetivo, suas evoluções espirituais através do autoconhecimento e da prática do amor e da caridade.

Assim como entre vocês existe, em algumas situações, a ausência do palavreado silencioso, também conosco a postura de quem nos acolhe, desse processo está impregnada.

Quando nos comunicamos, pelos diferentes canais que a nós são disponibilizados, entendemos que os mesmos se mantêm fiéis ao que lhes é transmitido e, certamente, em nossas palavras grafadas ou pronunciadas, existe o adequado silêncio.

Deste modo, consideramos de suma importância que se detenham atentamente não só nas comunicações entre vocês como, e principalmente, entre nós e vocês.

Exercitem-se no uso das palavras mantendo o silêncio que nelas deve estar contido.

Quando Jesus disse: – “amai-vos como eu vos amei” estava usando palavras ricas em si e totalmente silenciosas, pois é possível sentir nelas a verdade que expressam.

Reflitam.

 Luzeiros do Silêncio

 

 Recebida pela Magali em 09/05/2013

Revisão: Clovis